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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

Bloqueio Criativo Existe?


Escritores sempre debateram sobre o famoso bloqueio criativo e a falta de inspiração para principiar ou prosseguir com uma obra literária. Eu tenho uma ideia assaz distinta sobre os dois grandes inimigos dos artistas: não existem! Pelo menos do jeito defendido, jamais! Não há nada que impeça as ideias surgirem ou desaparecerem magicamente. O que existe de fato é um conjunto de elementos dificultadores ou facilitadores das operações mentais: cansaço, estresse, má digestão, preocupações, entre outros fatores psicológicos e físicos. Não digo que deva haver uma excessiva tranquilidade, pois alguns autores escrevem melhor quando estão inquietos ou indignados com alguma injustiça, mas dever haver condições intelectivas adequadas para escrever. Se quiserem chamar de bloqueio e inspiração, tudo bem, contudo se deve observar as causas deste fenômeno. Não se trata de presença ou ausência do relevantíssimo espírito criativo, mas de um estado energizante ou desgastante do próprio corpo. As novas descobertas das ciências cognitivas como a neurogênese (nascimentos de novas células cerebrais) podem explicar o grande tormento de quem se dedica às letras. O caminho é a prática de autorreflexão e metacognição.
Vandi Dogado, autor de O Templo de Aiakos (vand16@gmail.com
Fonte: Coluna Foco Cultural Jornal Cidade de Barueri

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