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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

A FLIP (não) é um bom evento literário (?)

POR VANDI DOGADO
Ontem (04 de julho de 2015) estive em Paraty pela primeira vez. Confesso que fiquei encantado com a beleza incomum do patrimônio histórico e da paisagem marítima da cidade (cultura e natureza fundem-se com tamanha perfeição). Mas, minha intenção não era só conhecer os fascínios de Paraty, pretendia "desfrutar" a 13ª Festa Literária Internacional de Paraty, então a decepção foi avassaladora. A ausência de magia criativa tornava o clima distante de um evento literário de qualidade. Havia meia duzia de livrarias (nenhuma possuía o charme da
Livraria Cultura da Avenida Paulista); a exposição do artesanato, com exceção da dos índios e a de um casal de cordelistas, não se comparava com a exuberância de Embu das Artes; e a tal "Tenda dos Autores", um galpão fechado completava a frustração (lá dentro estava David Hare, premiado roteirista e dramaturgo britânico, tecendo ironia para uma pequena plateia, enquanto isso um pessoal lhe assistia por meio de um telão do lado de fora (coisa que se poderia fazer em casa pela internet). Imaginava encontrar vários escritores pelas ruas conversando com seus leitores, contudo só foi possível observar uma programação engessada e elitista. O homenageado Mário de Andrade deve estar se remoendo no túmulo com a pífia homenagem (desculpe-me o clichê, mas se encaixa perfeitamente à ocasião). Sobrou-me tirar uma foto debaixo de um cartaz com a foto do escritor (melhor que encontrei da homenagem), estou exagerando, mas não houve nada que justificasse um elogio, já que para homenagear um gigante de nossa literatura se deve ter no mínimo respeito. Pretendo voltar à FLIP para ver se Mauro Munhoz, Diretor da Casa Azul, instituição organizadora do evento tenha realizado melhorias no próximo ano. Ele culpou a crise pela falta de grandes nomes artistas nos shows como Gilberto Gil, Caetana Veloso, Gal Costa e Milton Nascimento, por exemplo, mas os R$ 7 milhões gastos no evento, menor dos últimos dez anos, poderiam ser muito MAIS bem gastos. Quando fui Secretário de Cultura e Turismo de Araçariguama aprendi a fazer eventos com um mínimo de recursos, basta valorizar os artistas populares de nosso país, não os encontrei por lá. Não há necessidade pagar escritores, tem apenas de convidá-los, pois é um excelente momento para divulgar suas obras, aliás, por que não convidaram John Green? Ele estava lançando o filme "Cidades de Papel" baseado em seu livro homônimo, nada como um convite... Autores como Laé de Souza da Caravana da Leitura, que viaja o Brasil vendendo seus livros pelo preço simbólico de R$ 2,00 poderiam se fazer presente. Do que falar dos milhares de jovens escritores esperando por uma oportunidade de apresentar seus livros ao público? Eles poderiam encher as ruas de Paraty divulgando suas obras. Tenho certeza de que seria um momento para revelar muitos talentos literários. Os jovens escritores estão limitados às redes sociais, por que não lhes abrir espaço na FLIP? Pelas ruas senti falta de cheiro de livro velho, de declamação de poesia, de crianças lendo sentadas nas calçadas, de artistas populares, de peças teatrais, rodas de leitura, distribuição de livros... Passaram ótimos autores pela FLIP 2015, mas minha crítica se refere à má organização que não conseguiu provocar interação e integração entre LIVROS, AUTORES, LEITORES e LITERATURA. De 1 a 10, minha nota é 4,0 para o evento, 10,0 para Paraty e 1,0 para o Poder Público Municipal, pois há sérios problemas de infraestrutura e de violência no município.
PS: A Folha de São Paulo merece os parabéns, pois distribuiu material literário, jornais e trouxe seus colunistas para conversar com o público, embora o espaço fosse bem pequeno surtiu um efeito bem interessante. Devo lembrar que como escritor me recuso a participar da FLIP sentado em uma cadeira falando a uma pequena plateia no referido galpão. Prefiro estar junto aos leitores de meus livros, ouvindo-os bem de perto...

Comentários

  1. Todas essas feiras que acontecem no Brasil, raríssimas exceções são um desfile de vaidades & pouco, mui pouco talento. Apadrinhados são convidados para falar em painéis onde quase mantem uma espécie de solilóquio... O povão, o educando, os periféricos não tem voz nem vez nesse monte de caca. A qualidade dos escritos, no geral é péssima. Ou, quando muito habitam a zona média (terra média kkk) do lugar comum. Contistas que não sabem narrar com sabor - que falam de si. Que tentam efeitos impressionistas. Romancistas ocos, vazios de assunto, talento inspiração... E, como bem dizes jovens e vigorosos textos estão aí a espera de que se lhos descubra e ponham à luz.

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