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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

Geração só o título

POR VANDI DOGADO
Há tempos venho publicando artigos sobre os efeitos nocivos do mal uso das redes sociais, hoje possuímos uma geração que lê o título e compartilha todo o conteúdo, raramente alguém lê uma matéria até o final. O texto da Galileu logo abaixo aponta que nem vídeos e músicas são apreciados até o fim. Uns afirmam que isso se deva ao excesso de informações, mas não é bem por aí. Podemos fazer gestão do conhecimento e ler textos completos, nada contra ler títulos e leads no momento de selecionar os textos a serem lidos, o problema é que a grande maioria só fica no título e talvez no lead. Em 2013, escrevi o livro "Escrita e Leitura: novas tecnologias da informação e comunicação" (público-alvo: professores), sugerindo algumas formas de empregar as NTICs de forma didático-pedagógica, há inúmeras possibilidades de fazer isso. Esse é o grande desafio das escolas, ensinar os alunos a usar adequadamente as mídias, acontece que os professores também são vítimas do processo de leitura fragmentada da internet. Temos um longo caminho pela frente, sabemos que a leitura de livros aumenta a capacidade de atenção, concentração e observação. Em outro livro "Mentalux: técnicas de estudo e otimização do tempo" (público-alvo: estudantes) abordo formas de melhorar essas funções subjacentes de nossa cognição.   
Vandi Dogado, educador e escritor  
Matéria da Galileu
Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final. Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo a vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas?
Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. Tudo muito bacana, não fosse a notícia um hoax, um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites.
Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê!
"SOMOS A GERAÇÃO QUE LÊ O TÍTULO, COMENTA SOBRE ELE, COMPARTILHA, MAS NÃO VAI ATÉ O FIM DO TEXTO. NÃO PRECISA, NINGUÉM LÊ!"
Nunca achei que a internet alienasse as pessoas ou nos deixasse mais burros, pois sei que a web é o que fazemos dela. Ela é sempre um reflexo do nosso eu, para o bem e para o mal. Mas é verdade que as redes sociais causaram, sim, um efeito esquisito nas pessoas. A timeline corre 24 horas por dia, 7 dias da semana e é veloz. Daí que muita gente acaba reagindo aos conteúdos com a mesma rapidez com que eles chegam. Nas redes sociais, um link dura em média 3 horas. Esse é o tempo entre ser divulgado, espalhar-se e morrer completamente. Se for uma notícia, o ciclo de vida é ainda menor: 5 minutos. CINCO MINUTOS! Não podemos nos dar ao luxo de ficar de fora do assunto do momento, certo? Então é melhor emitir logo qualquer opinião ou dar aquele compartilhar maroto só pra mostrar que estamos por dentro. Não precisa aprofundar, daqui a pouco vem outro assunto mesmo.
Por outro lado... quem lê tanta notícia? Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje? Ao mesmo tempo em que essa atitude é condenável, também é totalmente compreensível. Todo mundo é criador de conteúdo, queremos acompanhar tudo, mas não conseguimos. Resta-nos apenas respirar fundo, tentar manter a calma e absorver a maior quantidade de informação que pudermos sem clicar em nada. Será que conseguimos?
Bia Granja é co-criadora e curadora do youPIX e da Campus Party Brasil. Seu trabalho busca entender como os jovens brasileiros usam a rede para se expressar e criar movimentos culturais.

 ESTE LIVRO MENCIONA O GENOCIDA DA PANDEMIA. SE É FANÁTICO, AFASTA-SE!


Comentários

  1. Oi Vandi,

    Acredito que um pouco disso se deve ao que os teóricos da comunicação denominaram "disfunção narcotizante" (ver Wolf), que seria provocada pelo excesso de informação. Mas temos costumes que existem antes mesmo do advento do WWW.

    Por exemplo, assim como você, eu também leio os títulos antes de aprofundar no texto, pois acredito que os títulos são "tapetes" da "porta de entrada", que nos dão pistas sobre o texto. Se tem um "bem-vindo" adequado, eu leio. Se o texto não for o que o título "prometeu", eu paro e volto a procurar textos interessantes.

    Também costumo ouvir "um pedaço" de algumas músicas, mas é pelo mesmo princípio: ouço para conhecer e paro se não me interessou.

    Compreendo que já fazíamos isso com livros, artigos e palestras em eventos abertos, na busca de informações relevantes. Algo que o ambiente digital propicia em maior volume e com possibilidades maiores ainda de não encontrarmos algo que valha a pena (seja para o momento ou para o interesse que nos levou à pesquisa).

    Penso que muito do que é apresentado como "dados alarmantes" da Internet, que quantificam acessos, cliques e tempo de duração, não leva em conta que, por exemplo, num bate-papo entre amigos e colegas passamos por diversos assuntos em pouco tempo, ou que quando lemos um jornal, passamos pelo título e "damos uma geral" na matéria, para decidir se vale ou não a pena ler.

    Do mesmo modo, creio que o seu artigo poderia gerar inúmeros comentários, se levarmos em conta cada dado que passou, como o tempo médio de um link nas redes sociais (eu gostaria de saber qual a fonte, para ler mais sobre).

    De qualquer forma, eu li seu texto inteiro e o achei coerente e interessante. Valeu a pena. :)

    Grande abraço.

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  2. Olá Wilson
    Excelente comentário. Obrigado pela leitura...
    Sugiro a leitura do livro "FOCO" de Daniel Golemann, mesmo autor do best-seller "Inteligência Emocional". Traz pesquisas interessantes sobre o tema... Tenho um Guia de Estudo, é voltado mais para estudantes, mas se tiver interesse chama-se "Mentalux: técnicas de estudo e otimização do tempo" que traz algumas dicas para quem está perdendo o foco por causa da internet. Só está à venda na Amazon em formato de e-book...
    Grande agraço

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