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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

Carta ao pequeno Aylan

POR VADI DOGADO
Queridíssimo Aylan
Prefiro crer que tu dormias à orla da praia e, na intimidade de teu sono, recuso-me a disseminar a imagem em que te encontravas tão bem vestido sob à luz do mundo. A mídia não pestanejou em dar-te indesejada fama, justo num momento tão injusto. Espero que me entendas, querido Aylan, se teu corpo exposto servirás para atenuar os duros corações, não me sinto confortável em invadir a privacidade de teu infindo sono. Homens bons? Poder benéfico? Riqueza relevante? Respeito às diversidades? Amor? Fé? Não, pequeno Aylan, eles não compreendem a lógica da pureza de teu coração. São todos embriagados por sentimentos de superioridade e por inúteis buscas de satisfações hedonistas. Oh quão tolos são os que visam ao poder e à riqueza! Amigo Aylan, não almejava jamais te conhecer na privacidade de teu sono, onde a praia era tua cama e águas do mar teu travesseiro. Estavas tão belo de camisetinha vermelha, bermuda azul e tênis preto, preparado para um gostoso passeio se não fosse atingido pelo imposto sono da ignorância e das trevas subjacentes à humanidade. Ninguém tinha o direito da subtração, mas cruelmente subtraíram alegrias, sonhos, desejos, amor e oxigênio. Todavia, precioso Aylan, prefiro lembrar de teu mais límpido sorriso, envolto na plenitude de tua alegria e de tua candura. Nobre Aylan, este mundo de néscios, egoístas, orgulhosos e vaidosos não é para ti. Mereces a dimensão dos justos e dos bons, onde haja apenas sentimentos nobres, assim como eram os teus. Tu és agora o símbolo da luta contra a CEGUEIRA causada pela intolerância, injustiça e tirania.
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