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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

Um papagaio como testemunha de homicídio?

POR VÍTOR DA MATTA VIVOLO
Este mês, um promotor de Michigan foi deparado com um estranho pedido: familiares de uma vítima de homicídio, Martin Duram (45 anos), entraram com um pedido para que o papagaio da casa fosse chamado “a depor”, sendo considerado testemunha do assassinato de seu dono. O animal aparentemente esteve presente quando Martin fora baleado, repetindo constantemente agora a frase “Don’t f*cking shoot!” (“não atire, p*rr*!”). A mãe da vítima fez vídeos registrando a imitação e encaminhou aos investigadores. 
Bud, a “testemunha” - aspas ficam a critério do leitor - em questão, é um papagaio-cinzento, considerado uma das espécies mais dotadas de inteligência e capacidade de imitação vocal. Irene Pepperberg, bióloga e pesquisadora especialista da espécie há quase quarenta anos, diz que “as habilidades comunicativas deles são, se você tiver sorte, similares a de uma criança de dois anos de idade”. E suas habilidades cognitivas beiram a de uma criança de cinco anos. Pepperberg ainda afirma que os papagaios-cinzentos são comparáveis a golfinhos e chimpanzés no quesito intelectual e de aprendizado. 
No entanto, a pesquisadora não aparenta ter absoluta certeza da veracidade do testemunho no caso, mesmo não descartando a possibilidade de que Bud tenha aprendido a frase através de uma interação social traumática ocorrida com alguém considerado seu amigo, em situação perigo. Provar tal retenção de memória na corte seria a dificuldade, segundo ela. 
“Não consigo imaginar uma situação em que um papagaio esteja qualificado a ser testemunha em corte”, comentou Robert Springstead, promotor responsável pela revisão do caso. “É um caso interessante, mas existem outras informações certamente mais confiáveis no relatório policial e na investigação”, completa. O assunto é delicado, visto que a família afirma desconfiar que a esposa de Martin talvez seja a responsável pelo tiro. 
Pesquisas realizadas por estudiosos como Timothy F. Wright, acerca da evolução e comunicação entre aves, talvez sejam relevantes em casos similares. Dr. Wright dedicou-se a estudar comunidades de papagaios e demais psitacídeos (Psittaciformes, ordem animal a qual também pertencem periquitos, calopsitas e araras). Chegou a conclusão de que a similaridade vocal entre papagaios é importante na manutenção das relações sociais de cada bando. Implantando aves mais idosas e mais jovens em bandos estrangeiros aos de sua origem, Wright observou que os membros recém-chegados só conseguiram se adaptar totalmente quando aprenderam a imitar os novos cantos toados pelo grupo. 
Os mais jovens foram bem sucedidos, dispostos a aprender os sons de seus vizinhos; enquanto os mais velhos preferiram manter suas entonações antigas, segregando-se em uma pequena comunidade de “estrangeiros”.
 A imitação, segundo a pesquisa, faz parte da inclusão social dos papagaios em suas comunidades humanas. 
Há precedentes históricos a corroborar o uso do testemunho de Bud. Nos anos noventa, um papagaio fêmea chamado Echo tornou-se um dos primeiros animais a ser encaminhado ao programa de proteção de testemunhas norteamericano. Seu antigo dono havia sido Anthony Corolla, chefe do crime em Nova Orleães, acusado de homicídios e abusos infantis. Echo, testemunhando ambos, reproduzia os diálogos e choros das vítimas posteriormente. O trauma causado na memória do animal fora utilizado como evidência e, assim que Corolla foi acusado e preso, seu bicho de estimação foi encaminhado à proteção de testemunhas. 
Um papagaio pode ser humanizado a ponto de se tornar um depoente? Ou ainda permanece como um “animal”, um ser “irracional”? Talvez resida aí a polêmica. Nos resta esperar o desenrolar dos fatos, mas é interessante percebermos as formas tomadas por nossas relações sociais com nossos animais de estimação na sociedade moderna. 
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