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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

A Vacina Chinesa é realmente Perigosa?

POR VANDI DOGADO
Vacinas aprovadas para aplicação em massa são submetidas ao rigor de métodos científicos. Caso não demonstrasse segurança e eficácia, nenhuma vacina seria licenciada por órgãos de vigilância sanitária mundo a fora. Ainda assim, milhares de pessoas, nos últimos anos, desenterraram das catacumbas do pretérito protestos contra vacinação. No caso da vacina chinesa Sinovac, a situação tornou-se ainda pior devido à miscelânea entre posicionamentos ideológico-políticos e teorias conspiratórias. Os adeptos da negação é um fenômeno à parte, visto que hipóteses, crenças e desejos se tornam fatos Reproduzem pensamentos medievais, todavia pensam que são inovadores. Aliás, em nome da dúvida, sofomaníacos acreditam que se encontram entre os indivíduos mais inteligentes do planeta.

Segundo o livro Caçador de Sombras de Borboletas e Libélulas de Lohan Arkhellis, ainda que distintamente, tolos cultivam a dúvida tanto quanto inteligentes. O ato de duvidar de altivos intelectos ocorre ordinariamente como mero levantamento de hipótese para posterior angariação de informações com o objetivo de comprovar ou refutar o suposto fato. Enquanto a dúvida de tolos emerge carregada de absurda inversão. Quando há necessidade de duvidar, tomam hipóteses por supremas verdades. Creem em panaceias milagrosas, horóscopos, notícias falsas, falácias de políticos demagogos e religiosos mal-intencionados. Caso um de seus ídolos declarasse que água causasse autismo ou que matemática não fosse atividade feminina, eles acreditariam piamente. Em contrapartida, por certo, duvidariam de fatos ou comprovações científicas.

Nesse sentido, a dúvida transforma-se rapidamente em negação da realidade. O tolo nega que o planeta é esférico, nega descobertas científicas, nega a eficácia de medicamentos, nega notícias de fontes fidedignas. Não nega como milita contra, sem apresentar quaisquer evidências para sustentar suas alegações. Políticos de parco intelecto aproveitaram-se disso para chegarem ao poder. Basta o idolatrado negar e apontar culpados (sem provas, é claro) que os sofomaníacos ficam eufóricos. O problema que sofomaníacos confundem a mente de indivíduos com pouca formação. Muitos não querem tomar a vacina chinesa por causa de informações espalhadas pelos sofomaníacos.  Há informações de que a vacina é perigosa porque Sars-Cov-II (novo coronavírus) foi fabricado em laboratórios da China para causar uma pandemia com o propósito de domínio do mundo. A vacina chinesa seria, nessa perspectiva, apenas mais uma manobra para que “comunistas” dominem tudo. Existem ainda informações de que a vacina chinesa seria feita a partir de fetos abortados em decorrência da Covid-19. Enfim, não vale a pena enumerar e especificar as notícias falsas que circulam na internet. A verdade é que políticos sectários e seus seguidores (os sofomaníacos) rejeitam a vacina por questões políticas e, também, por puro delírio.

A Sinovac, empresa chinesa, emprega uma conhecida técnica científica para desenvolver a vacina contra a Covid-19: a inativação de vírus inteiro (no caso, o Sars-Cov-II). Trata-se de um eficiente método que, caso obtenha êxito nos experimentos em todas as fases exigidas pelo método científico, permite proteção duradoura e com efeitos colaterais leves. Vacinas ministradas por governos no mundo todo contra a gripe e a raiva, por exemplo, foram desenvolvidas com a referida técnica. Embora a técnica seja eficaz, necessita de altíssimos investimentos financeiros; porque, ao se utilizar vírus inteiros, requer severíssima segurança para impedir mutações virais e possíveis contaminações dos cientistas. Essa técnica possui mais uma desvantagem; pois, embora se permita chegar a vacinas seguras, a eficácia nem sempre é suficiente, por isso cientistas costumam adicionar certos elementos químicos para aumentar o potencial de proteção. Nem sempre é fácil encontrar elementos adjuvantes eficazes. Em função disso, é necessário, quase sempre, aplicação de duas ou mais doses. Em situações pandêmicas, isso se torna um problema, devido à dificuldade de produção em larga escala.

Em contrapartida, nas atuais circunstâncias de gravíssima crise sanitária mundial, ainda que a vacina chinesa não alcance eficácia de 90% (percentual adequado para aprovação de uma vacina), poderia pôr fim na pandemia. Até o momento, sabe-se que a vacina chinesa da Sinovac possui quase 95% de segurança e, aproximadamente, 50% de eficácia. Foram testadas mais de 50 mil pessoas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil sob a tutela do Instituto Butantã. Para chegar ao percentual final de eficácia, seria necessário a análise da contaminação de 61 pessoas das 50 mil testadas, depois realizar segunda análise de 151 pessoas contaminadas. Brevemente, deve ser divulgado o percentual de eficácia da vacina chinesa da Sinovac. Supondo que a eficácia se mantenha em 50% o que isso significaria? Seria uma grande vitória da ciência! Todas as atividades poderiam voltar à normalidade. Ainda seria necessários uso de máscaras (em lugares fechados), lavagem constante das mãos com sabão e aplicação de álcool em gel. A soma de hábitos de prevenção, o efeito de imunização de gado mais a eficácia da vacina acabaria com a pandemia.

Se ainda assim, restar algum receio de tomar ou não a vacina chinesa , não se deve esquecer de que vacinas recém-aprovadas são minuciosamente monitoradas pela Anvisa durante e após o processo de vacinação populacional. Não importa de onde venha a vacina, caso tenha seguido o rigor dos métodos científicos e tenha sido avaliado por cientistas de outros países, não haveria nenhuma razão para o temor.  

PS: o fim da pandemia, não significa o fim do Sars-Cov-II. O vírus parece que veio para ficar, logo a ciência terá de chegar a uma vacina com elevada eficácia. Isso também deverá acontecer nos próximos dois anos.

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