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As Metáforas das Tamareiras

POR VANDI DOGADO  Certa vez ouvi de um palestrante a belíssima lenda de origem árabe que diz: “quem planta tamareira não colhe tâmaras”. Um afoito espectador na plateia interrompeu-o, erigindo a mão direita e, sem aguardar o devido consentimento, logo emendou em tom elevado e extenso: Mas, pooorqueeeee, senhor? O palestrante como se já esperasse o questionamento manifestou um incógnito sorriso e elucidou que a tamareira leva aproximadamente 100 anos para produzir frutos, ou seja, se considerarmos que a plantemos aos 20 anos de idade, teríamos de viver 120 anos para colher suas tâmaras. Considerei o provérbio esplêndido, porque dele se podem extrair nobres ensinamentos de linguagem e de sapiência. Primeiramente, se tomarmos a expressão no sentido denotativo, defrontemo-nos com uma típica falácia, pois, ainda que naquela época a expectativa de vida fosse baixa, haveria exceções para qualquer ser humano que plantasse a árvore antes dos vinte anos. Por exemplo, se uma criança de 10 anos

A triste politização da ciência nos testes da vacina contra a Covid-19

POR VANDI DOGADO

Tempos de quietude intelectual são perigosos, porque quem deveria opor-se à defesa da ignorância se cala; logo, em decorrência do covarde silêncio de cérebros pensantes, eclode sociedades cujos paralisados cérebros não distinguem fato de cilada; pior ainda, a maioria entrega-se à armadilha de falaciosos discursos. (Tales Niechkron)

A maioria do povo brasileiro conhece a disputa política na corrida pela primeira vacina no Brasil, principalmente entre João Doria (governador de São Paulo) e Jair Bolsonaro (presidente da República). Considero que a visão do governador sobre pandemia tem sido mais sensata do que a do presidente, contudo, não sou ingênuo de cair na conversa mole de que Doria não esteja com intenções políticas. Aliás, mais sensata não, é inexistente qualquer sensatez em Jair Bolsonaro. Doria faz política, mas com algo que será benéfico para os brasileiros. As histórias ruins sobre a vacina chinesa é balela da extrema-direita. Os cientistas envolvidos no desenvolvimento da vacina são sérios. Agora, a coisa pegou fogo! O episódio tornou-se demasiado contendente com a paralisação dos testes no Brasil da vacina da Sinovac (empresa chinesa em parceria com o Instituto Butantan) por decisão da Anvisa (Agência Nacional Vigilância Sanitária). O Instituto Butantan alega que enviou todos os dados à Anvisa sobre uma morte de um dos testados. Já a Anvisa alega que não recebeu as informações completas. Os critérios não permitem aos responsáveis pela pesquisa revelar detalhes sobre mortes em testes de vacinas, mas a imprensa divulgou que a causa da morte foi suicídio mediante suposição de uso de drogas ilícitas. Segundo o boletim de ocorrência, o homem foi encontrado morto ao lado de seringas. A mídia também anunciou que a morte não teria nenhuma relação com a vacina.

Sabe-se que o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, é um aliado muito próximo de Jair Bolsonaro. A mídia divulgou diversas ocasiões em que apareceu sem máscara em plena pandemia ao lado do presidente da República. Algo impensável em um país que leva a sério a ciência. O diretor do Butantan, Dimas Covas, responsável pelas pesquisas da Sinovac no Brasil, refutou categoricamente as afirmações de Barros sobre os dados enviados para a Anvisa. Disse que enviou todas as informações necessárias. A Rede Globo apressou-se em insinuar que a Anvisa estivesse politizando a situação. A meu ver, realmente estava; porém, deve-se tomar cuidado nessas horas. Afinal, os dados foram enviados completos ou não? Quem está dizendo a verdade? Difícil saber! Presumo que o pessoal da Anvisa demonstrou algumas falhas na argumentação. Até porque deve haver protocolos que demonstrem o envio dos dados sobre a morte. A verdade que ficou muito vaga a explicação da Anvisa. Obviamente que testes com vacinas devem ser imediatamente suspensos quando surgem efeito adverso grave ou morte relacionada à substância ativa.

Não sabemos se o rapaz tomou a substância ativa ou placebo. Se fosse placebo, claramente sua morte não teria relação com a vacina. Agora, caso tenha tomado a substância ativa, restaria uma pergunta: a vacina poderia estar contaminada com alguma substância que poderia ter provocado "depressão imunológica" no rapaz? Sabe-se que determinadas substâncias químicas podem provocar suicídio. Não é o caso de vacinas. Refiro-me à possibilidade de uma possível contaminação involuntária por falhas dos cientistas que desenvolvem a vacina da farmacêutica Sinovac. A Anvisa nada mencionou sobre tal hipótese. Até porque seria uma gravíssima acusação que terminaria parando na Justiça. Ademais, as chances disso ocorrer beira a zero, mas, caso houvesse tal possibilidade, pelo menos seria uma justificativa. Porque dados incompletos não são justificativa para a interrupção dos testes com a vacina. Até porque, mesmo que os dados estivessem incompletos, não seria mais sensato solicitar as informações mais detalhadas sobre a morte ao Butantan? O diretor-presidente da Anvisa declarou à BandNews que seria o Butantan que teria de entrar em contato com a Anvisa e não o contrário. Afirmou que estão politizando a vacina, mas será que ele não? Qual a razão daquela nota na imprensa? Cabe uma investigação sobre a atitude da agência reguladora. 

O fato foi péssimo para a ciência. Nomear profissionais científicos que se prezam às ideologias ideológico-políticas é lastimável. Pior ainda foi o presidente da República chamar o povo de “marica” porque teme o vírus. Não só se trata de uma expressão preconceituosa como também é um enorme desrespeito com as famílias de vítimas da Covid-19. São mais de 162 mil mortes. Sem contar aqueles que ficaram com acentuadas sequelas em decorrência de complicações da Covid-19. Jair Bolsonaro é...! Um ser humano frio e insensível. Passou toda sua carreira política no legislativo culpando o governo, agora que é governo, culpa "fantasmas" por seu desastroso governo. Quantas mortes poderiam ter sido evitadas se a União tivesse um plano estratégico de enfrentamento ao Sars-Cov-II? Quantas mortes poderiam ter sido evitadas se o presidente não tivesse se colocado contra o isolamento social e o uso de máscara? Lamentável! Enfim, o Comitê Internacional Independente solicitou à Anvisa o retorno aos testes. O Supremo Tribunal Federal solicitou explicações à Anvisa sobre as razões da proibição da continuidade da pesquisa. Tenho informações de que a Anvisa irá liberar a pesquisa da Sinovac ainda hoje por receio de responsabilidade legal. De tudo isso, o pior foi a comemoração indireta do presidente Bolsonaro. Vociferou que foi mais uma que ele venceu. Venceu o quê? A vacina? Não procede. Os testes irão prosseguir. Venceu o Dória? Em quê? O governador estrategicamente ficou quieto e observou o adversário político "atirando no próprio pé". Não se pode esquecer de que uma família está em luto pela morte do rapaz. Indiretamente, Bolsonaro comemorou uma morte! Presenciar a fala absurda de um presidente da República é algo bem repugnante. 

PS: Você, sofomaníaco idólatra, que está pensando em usar um Ad Hominem ou Falácia do Espantalho nos comentários. Vá firme! É só o que pode fazer! Não defendemos este ou aquele político, somos defensores do método científico, da prudência e da solidariedade. 

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